Descrever o que se passa dentro de nós é quase impossível. Faltam palavras para exemplificar o que acontece conosco em certos momentos de nossa vida, falta experiência nas pessoas para quem contamos, assim como ela falta em nós quando ouvimos o que nos é contado. Enquanto formulamos a explicação, a sensação muda, junto com o sentimento, e o que seria dito se perde em algum lugar dentro de nós. É mais facil descrever outra pessoa do que a si próprio, porque não se almeja exprimir em palavras o que não é visto, apenas o que é apresentado para o mundo. Porém, ao nos descrevermos, temos a intenção de apresentar o nosso mundo, um mundo que ninguém jamais será capaz de conhecer, não importa o quanto tentem. Portanto não me pergunte quem eu sou. Simplismente não sou. Não tenho uma descrição objetiva, não tenho uma definição em um dicionário. Sou um pouco de tudo e um pouco de nada. Eu mudo em segundos, vivo de paradoxos, coexisto entre várias teorias e não possuo uma para a vida. Quando quero sou simples, e sou assim para o mundo, mas dentro de mim, vivo de outros mundos, tenho várias vidas e vários sonhos, busco coisas que não existem. Sonho mais do que vivo, vivo de sonhos, largo tudo por quem me traz devolta à vida, mas nunca largo meus sonhos, pois ninguém viverá sempre por mim. Vivo cada dia como um personagem, mas nunca mascaro meus sentimentos. Mudo de ponto de vista a cada segundo, sempre em busca do que parece mais correto para mim no momento. Não tenha medo de me conhecer, isso é algo simples, sou uma pessoa como qualquer outra. Nunca tente me entender, não há uma linha de pensamento, apenas um ciclo sem fim que não lhe levará a nenhuma conclusão. Quando amo alguém, dou tudo de mim à pessoa, mas não costumo amar quem quebra meu coração com a mesma intensidade. Sempre estarei ali, sempre estarei pronta para acolher novos mundos, sem julgar, sem entender, apenas estando presente para tudo. Eis quem sou, Mariana Perli, uma sonhadora, uma pensadora, apenas uma garota.
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